domingo, 1 de abril de 2012
sábado, 17 de março de 2012
sábado, 10 de março de 2012
Mulheres organizadas interditam a Praça Sete e decretam a Praça 08 de Março no centro de Belo Horizonte
Lívia Bacelete, da Marcha Mundial das Mulheres
No Dia Internacional das Mulheres, cerca de 1.500 manifestantes decretaram que a Praça Sete de Setembro, símbolo de manifestações políticas e culturais de Belo Horizonte, dali para frente não mais será conhecida por este nome. Durante um ato público, foi instaurada a Praça 08 de Março, simbolizando a luta das mulheres pelo fim da opressão e do machismo no centro da capital mineira.
Manifestantes de movimentos feministas, sociais, sindicais, estudantis, coletivos culturais e outras organizações estiveram reunidas durante todo o dia, realizando ações pelas ruas da cidade. O ato público reuniu mulheres de todo o estado e foi construído a partir de três temáticas: Violência, Educação Infantil e Nosso Corpo nos Pertence.
Maria Aparecida Alves, a Cidona, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), veio do Vale do Jequitinhonha, no nordeste de Minas Gerais, para participar da manifestação. “Entendemos que este não é um dia de ganhar presentes, mas um dia de fazer luta por uma transformação social, por justiça e igualdade, para que as mulheres não sejam violentadas em todos os sentidos”.
Enquanto as mulheres do SindiREDE-BH (Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de Belo Horizonte), em assembleia, definiam greve da categoria a partir do dia 14 de março. As mulheres da Via Campesina e da Marcha Mundial das Mulheres ocupavam a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), cobrando agilidade na reforma agrária e denunciando o capital estrangeiro na agricultura, através das empresas transnacionais.
No fim da tarde, todas manifestantes se encontraram na Praça da Estação para dar início ao ato público unificado. Clarisse Goulart, da Marcha Mundial das Mulheres, explica que há 101 anos, o dia 08 de março foi definido, em uma Conferência de Mulheres Socialistas, como um dia de luta para as mulheres de todos os países pela transformação da sociedade e fim do machismo. “Nós, aqui em Minas Gerais, não fazemos diferente. Estamos juntas com mulheres do mundo inteiro na luta, principalmente, para acabar com a violência que tem matado as mulheres, seus sonhos e suas utopias”.
A primeira intervenção aconteceu em frente à Prefeitura Municipal, cobrando educação infantil pública e de qualidade para as crianças de 0 a 6 anos e tratamento digno para as professoras. De acordo as trabalhadoras da educação infantil, o prefeito Márcio Lacerda opta por não apostar na qualidade do atendimento pedagógico para as crianças, jovens e adultos estudantes da cidade. As mulheres denunciaram que, ao invés disso, ele investe o dinheiro da educação em projetos de assistência social, na aparência das unidades de ensino, em doações de uniformes, tênis e Kits escolares e em propaganda, vislumbrando as próximas eleições.
Seguindo em frente, foi feita outra ação em frente ao Palácio da Justiça, evidenciando a violência contra a mulher. As manifestantes se colocam contra a violência sexista e doméstica, a desigualdade salarial, o assédio sexual e moral no trabalho. Elas também denunciam o descaso dos governos com moradia, saúde e educação, a violência do Estado contra as mulheres pobres e negras e das grandes empresas do agronegócio contra as mulheres camponesas.
A próxima parada foi em frente ao supermercado Carrefour. As mulheres atacaram as transnacionais e o avanço do agronegócio, defendendo a reforma agrária com uma agricultura familiar e agroecológica, sem o uso de agrotóxicos. O agronegócio e seu modelo de agricultura industrial transformam o Brasil no maior consumidor de agrotóxicos do mundo desde 2009.
“O avanço do agronegócio no campo destrói nossas águas, nossas terras e rouba nossas riquezas naturais”, conta Marili Zacarias, da direção nacional do MST. Ela acredita que essa situação deve ser denunciada e só será revertida, quando o campo e a cidade estiverem unidos.
As mulheres seguiram em marcha e fizeram ainda duas paradas, a primeira em frente ao Ministério da Saúde e segunda na Igreja São José. Elas reivindicaram o controle de seus próprios corpos e o cobraram o veto da Medida Provisória 557, que prevê o cadastro obrigatório para as gestantes, violando a intimidade da mulher e ampliando o controle do Estado na gravidez.
As manifestantes exigem que o Ministério da Saúde e o governo federal, em conjunto com a sociedade civil, enfrentem o debate do aborto inseguro, que é a terceira causa de morte materna no Brasil. Elas defendem a necessidade de políticas de atendimento às mulheres que decidem interromper uma gravidez indesejada.
“Nem os papas, nem os juízes, nem os homens engravatados vão dizer o que nós, mulheres, temos que fazer com nosso corpo”, afirma Clarisse Goulart, da Marcha Mundial das Mulheres. Ela explica que o aborto é um problema de saúde pública, mas é também uma questão de autonomia das mulheres.
Na parada em frente à igreja, as mulheres atacaram o controle ideológico feitos pelas religiões em relação à autonomia sob seus corpos. Eduarda Figueiredo, da Associação Lésbica de Minas (ALEM), afirma que as lésbicas, bem como toda a comunidade LGBT, têm sofrido com a bancada evangélica, com o apoio da igreja, que vem barrando as propostas de políticas públicas contra a homofobia. “Estamos na rua justamente para demonstrar que temos orgulho de ser assim, isso não é doença, não é pecado, não é amoral, nós só temos uma manifestação de amor diferente”.
A marcha continuou até a Praça Sete. Neste momento, o local foi interditado por mulheres que estão construindo sua autonomia. Com uma animada e colorida ciranda, elas decretaram a inauguração do novo espaço público da cidade: a Praça 08 de Março.
No Dia Internacional das Mulheres, cerca de 1.500 manifestantes decretaram que a Praça Sete de Setembro, símbolo de manifestações políticas e culturais de Belo Horizonte, dali para frente não mais será conhecida por este nome. Durante um ato público, foi instaurada a Praça 08 de Março, simbolizando a luta das mulheres pelo fim da opressão e do machismo no centro da capital mineira.
Manifestantes de movimentos feministas, sociais, sindicais, estudantis, coletivos culturais e outras organizações estiveram reunidas durante todo o dia, realizando ações pelas ruas da cidade. O ato público reuniu mulheres de todo o estado e foi construído a partir de três temáticas: Violência, Educação Infantil e Nosso Corpo nos Pertence.
Maria Aparecida Alves, a Cidona, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), veio do Vale do Jequitinhonha, no nordeste de Minas Gerais, para participar da manifestação. “Entendemos que este não é um dia de ganhar presentes, mas um dia de fazer luta por uma transformação social, por justiça e igualdade, para que as mulheres não sejam violentadas em todos os sentidos”.
Enquanto as mulheres do SindiREDE-BH (Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de Belo Horizonte), em assembleia, definiam greve da categoria a partir do dia 14 de março. As mulheres da Via Campesina e da Marcha Mundial das Mulheres ocupavam a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), cobrando agilidade na reforma agrária e denunciando o capital estrangeiro na agricultura, através das empresas transnacionais.
No fim da tarde, todas manifestantes se encontraram na Praça da Estação para dar início ao ato público unificado. Clarisse Goulart, da Marcha Mundial das Mulheres, explica que há 101 anos, o dia 08 de março foi definido, em uma Conferência de Mulheres Socialistas, como um dia de luta para as mulheres de todos os países pela transformação da sociedade e fim do machismo. “Nós, aqui em Minas Gerais, não fazemos diferente. Estamos juntas com mulheres do mundo inteiro na luta, principalmente, para acabar com a violência que tem matado as mulheres, seus sonhos e suas utopias”.
A primeira intervenção aconteceu em frente à Prefeitura Municipal, cobrando educação infantil pública e de qualidade para as crianças de 0 a 6 anos e tratamento digno para as professoras. De acordo as trabalhadoras da educação infantil, o prefeito Márcio Lacerda opta por não apostar na qualidade do atendimento pedagógico para as crianças, jovens e adultos estudantes da cidade. As mulheres denunciaram que, ao invés disso, ele investe o dinheiro da educação em projetos de assistência social, na aparência das unidades de ensino, em doações de uniformes, tênis e Kits escolares e em propaganda, vislumbrando as próximas eleições.
Seguindo em frente, foi feita outra ação em frente ao Palácio da Justiça, evidenciando a violência contra a mulher. As manifestantes se colocam contra a violência sexista e doméstica, a desigualdade salarial, o assédio sexual e moral no trabalho. Elas também denunciam o descaso dos governos com moradia, saúde e educação, a violência do Estado contra as mulheres pobres e negras e das grandes empresas do agronegócio contra as mulheres camponesas.
A próxima parada foi em frente ao supermercado Carrefour. As mulheres atacaram as transnacionais e o avanço do agronegócio, defendendo a reforma agrária com uma agricultura familiar e agroecológica, sem o uso de agrotóxicos. O agronegócio e seu modelo de agricultura industrial transformam o Brasil no maior consumidor de agrotóxicos do mundo desde 2009.
“O avanço do agronegócio no campo destrói nossas águas, nossas terras e rouba nossas riquezas naturais”, conta Marili Zacarias, da direção nacional do MST. Ela acredita que essa situação deve ser denunciada e só será revertida, quando o campo e a cidade estiverem unidos.
As mulheres seguiram em marcha e fizeram ainda duas paradas, a primeira em frente ao Ministério da Saúde e segunda na Igreja São José. Elas reivindicaram o controle de seus próprios corpos e o cobraram o veto da Medida Provisória 557, que prevê o cadastro obrigatório para as gestantes, violando a intimidade da mulher e ampliando o controle do Estado na gravidez.
As manifestantes exigem que o Ministério da Saúde e o governo federal, em conjunto com a sociedade civil, enfrentem o debate do aborto inseguro, que é a terceira causa de morte materna no Brasil. Elas defendem a necessidade de políticas de atendimento às mulheres que decidem interromper uma gravidez indesejada.
“Nem os papas, nem os juízes, nem os homens engravatados vão dizer o que nós, mulheres, temos que fazer com nosso corpo”, afirma Clarisse Goulart, da Marcha Mundial das Mulheres. Ela explica que o aborto é um problema de saúde pública, mas é também uma questão de autonomia das mulheres.
Na parada em frente à igreja, as mulheres atacaram o controle ideológico feitos pelas religiões em relação à autonomia sob seus corpos. Eduarda Figueiredo, da Associação Lésbica de Minas (ALEM), afirma que as lésbicas, bem como toda a comunidade LGBT, têm sofrido com a bancada evangélica, com o apoio da igreja, que vem barrando as propostas de políticas públicas contra a homofobia. “Estamos na rua justamente para demonstrar que temos orgulho de ser assim, isso não é doença, não é pecado, não é amoral, nós só temos uma manifestação de amor diferente”.
A marcha continuou até a Praça Sete. Neste momento, o local foi interditado por mulheres que estão construindo sua autonomia. Com uma animada e colorida ciranda, elas decretaram a inauguração do novo espaço público da cidade: a Praça 08 de Março.
sexta-feira, 9 de março de 2012
Mulheres ocupam a sede do Incra em Minas Gerais no Dia Internacional da Mulher
Lívia Bacelete, da Marcha Mundial das Mulheres
Cerca de 500 mulheres da Via Campesina e da Marcha Mundial das Mulheres ocuparam hoje (08) pela manhã a sede do Incra em Minas Gerais. A ocupação faz parte da Jornada Nacional de Luta das Mulheres Camponesas 2012 e dá continuidade à luta das mulheres em nível nacional, regional e local por uma sociedade justa e igualitária.
A ação tem como objetivo denunciar o capital estrangeiro na agricultura, através das empresas transnacionais, e quer chamar a atenção da sociedade para o modelo destrutivo do agronegócio para o meio ambiente. O agronegócio ameaça a soberania alimentar do país e a vida da população brasileira, afetando de forma direta a realidade das mulheres.
As mulheres cobram agilidade na Reforma Agrária, pois há seis anos nenhuma área é destinada a este fim em Minas Gerais. Atualmente, 3.700 famílias vivem em condições precárias em 50 áreas de acampamento no estado à espera da reforma agrária.
No município de Felisburgo, Vale do Jequitinhonha, cinco trabalhadores rurais Sem Terra foram assassinados há 8 anos. O fazendeiro Adriano Chafick, mandante do crime, continua em liberdade. As famílias estão ameaçadas de despejo, pois a justiça expediu mandado de reintegração de posse em dezembro de 2011. A área deveria ser desapropriada por crime de violência no campo e por crime ambiental, mas o Novo Código Florestal beneficia o fazendeiro.
Diante disso, as mulheres do campo e da cidade se manifestam contra o novo Código Florestal, que privilegia os setores ruralistas que apoiam a anistia para quem desmatou até julho de 2008. Denunciam o agronegócio e seu modelo de agricultura industrial, que transforma o Brasil no maior consumidor de agrotóxicos do mundo desde 2009.
As manifestantes também reivindicam assistência técnica e crédito para as mulheres, implementação de cirandas infantis para as crianças de 0 a 6 anos e restaurantes comunitários nas áreas de reforma agrária.
Com a Jornada Nacional de Luta das Mulheres Camponesas 2012, a Via Campesina e a Marcha Mundial das Mulheres querem combater todas as formas de opressão e violência que atingem, principalmente, as mulheres. Dados da “Central de Atendimento à Mulher - Ligue 180”, mostram que das mulheres que denunciaram terem sofrido violência em 2008, 91% são da zona urbana e 4,7% da zona rural, o que evidencia as dificuldades de acesso das mulheres camponesas, inclusive para fazer a denúncia.
Cerca de 500 mulheres da Via Campesina e da Marcha Mundial das Mulheres ocuparam hoje (08) pela manhã a sede do Incra em Minas Gerais. A ocupação faz parte da Jornada Nacional de Luta das Mulheres Camponesas 2012 e dá continuidade à luta das mulheres em nível nacional, regional e local por uma sociedade justa e igualitária.
A ação tem como objetivo denunciar o capital estrangeiro na agricultura, através das empresas transnacionais, e quer chamar a atenção da sociedade para o modelo destrutivo do agronegócio para o meio ambiente. O agronegócio ameaça a soberania alimentar do país e a vida da população brasileira, afetando de forma direta a realidade das mulheres.
As mulheres cobram agilidade na Reforma Agrária, pois há seis anos nenhuma área é destinada a este fim em Minas Gerais. Atualmente, 3.700 famílias vivem em condições precárias em 50 áreas de acampamento no estado à espera da reforma agrária.
No município de Felisburgo, Vale do Jequitinhonha, cinco trabalhadores rurais Sem Terra foram assassinados há 8 anos. O fazendeiro Adriano Chafick, mandante do crime, continua em liberdade. As famílias estão ameaçadas de despejo, pois a justiça expediu mandado de reintegração de posse em dezembro de 2011. A área deveria ser desapropriada por crime de violência no campo e por crime ambiental, mas o Novo Código Florestal beneficia o fazendeiro.
Diante disso, as mulheres do campo e da cidade se manifestam contra o novo Código Florestal, que privilegia os setores ruralistas que apoiam a anistia para quem desmatou até julho de 2008. Denunciam o agronegócio e seu modelo de agricultura industrial, que transforma o Brasil no maior consumidor de agrotóxicos do mundo desde 2009.
As manifestantes também reivindicam assistência técnica e crédito para as mulheres, implementação de cirandas infantis para as crianças de 0 a 6 anos e restaurantes comunitários nas áreas de reforma agrária.
Com a Jornada Nacional de Luta das Mulheres Camponesas 2012, a Via Campesina e a Marcha Mundial das Mulheres querem combater todas as formas de opressão e violência que atingem, principalmente, as mulheres. Dados da “Central de Atendimento à Mulher - Ligue 180”, mostram que das mulheres que denunciaram terem sofrido violência em 2008, 91% são da zona urbana e 4,7% da zona rural, o que evidencia as dificuldades de acesso das mulheres camponesas, inclusive para fazer a denúncia.
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
300 militantes negros no Shopping Higienópolis provocaram um frenesi nas faces brancas e rosadas da elite brasileira
fevereiro 12th, 2012 by mariafro - Por Francisco Antero, via Facebook
02 de maio de 1967 e 11 de fevereiro de 2012. O que há em comum entre estas duas datas? Naquele primeiro momento vivia-se nos Estados Unidos da América um turbilhão de embates sobre a condição dos negros e negras na sociedade norte-americana. E naquele momento um grupo de 29 panteras negras, militantes e guerreiros em prol de um tratamento igualitário, promovem uma entrada triunfal e convicta no Capitólio.
O Congresso americano tomou um susto quando aquele grupo, aquela pequena onda negra adentrava a “casa do povo”, estavam de armas em punho, pois até ali, as leis permitiam que qualquer norte-americano portasse armas de fogo. Não era crime algum.
Um tabu e medo que perseguem a sociedade burguesa desde sempre, qual seja, armas na mão do povo, do eleitor. Entraram e fizeram seu discurso antirracista perante deputados brancos e assustados. Pois bem, 45 anos depois, outra onda de tamanho dez vezes maior, mas com a mesma demanda adentrava de forma surpreendente um símbolo da sociedade burguesa atual, um Shopping Center.
As armas que portavam não eram de fogo, eram armas verbais, armados orgulhosamente com a cor negra. Militantes do movimento negro em São Paulo após passeata entoada por palavras de ordem pegaram de surpresa a segurança do Shopping Higienópolis, eram por volta de 16:00 da tarde quando uns 300 militantes adentraram rapidamente e provocaram um frenesi nas faces brancas e rosadas da elite privilegiada deste país.
Ultrapassada as três portas principais, objetivava-se agora chegar ao ponto central desta casa que é a antítese da casa do povo. Os seguranças tentaram impedir, havendo um início de tumulto, logo superado pela onda negra que fazia pressão para que não se parassem nos corredores. Tomamos o ponto central com nossas bandeiras, com nossas palavras, com nossa cor preta.
A disposição arquitetônica deste centro mercantilista é perfeita para este tipo de ato, pois dos vários andares poder-se-ia avistar o nosso grito de protesto de onde estávamos. As forças de segurança do Estado racista brasileiro estavam em nosso encalço, mas fizeram as intervenções de rotina. Os militantes do movimento negro se revezavam no microfone para dar o recado nunca antes ouvido pela elite branca que gastava ali o dinheiro advindo do suor do povo negro deste país.
Os olhares de perplexidade foram a tônica, incredulidade da burguesia por termos chegado até onde chegamos. Ouvir verdades nunca foi o forte desta gente. Enfatizo o fato de poder ter sido qualquer outro Shopping o alvo, mas era preciso algo a simbolizar nossa história de exclusão. Este templo do consumo carrega em seu nome a característica eugênica de nossa elite branca pensante de fins do século XIX e início do século XX.
Nossas palavras fizeram eco. Nossa intenção jamais foi reclamar participação e existência naquele ambiente de luxo. Nossa intenção era denunciar olho no olho para quem vive as custas do suor do povo negro. Encerramos a manifestação e nossa alma foi duplamente lavada pela chuva que caía sem cessar. Vivemos hoje um grande momento de Panteras Negras com esta entrada. O Povo negro deste país existe e vai exigir sua participação nas riquezas deste país, doa a quem doer.
domingo, 12 de fevereiro de 2012
Para Nunca mais esquecermos: Carta Denúncia da omissão de socorro em saúde aos moradores do Pinheirinho!
A secretaria de saúde do PSOL Paraná vem a público manifestar seu repúdio às ações violentas de despejo ocorridas no Pinheirinho em São José dos Campos perpetradas pelo governo Alckimin (PSDB) e mais, vem denunciar a onda de desrespeito à saúde das pessoas despejadas.
No momento da truculenta reintegração, pertences das pessoas que lá viviam foram apreendidos, ou mesmo queimadas e perdidos com as máquinas de demolição que nada deixaram inteiros, nem mesmo a integridade das pessoas! Com isso perderam-se receitas médicas, exames, medicamentos de controle da hipertensão, diabetes e até mesmo psicotrópicos. À exemplo daquilo que já acontece com a população em situação de rua da cidade de São Paulo e dos usuários de crack.
Com a atrocidade do Estado e com a violência policial no momento da reintegração muitas pessoas passaram mal, e não tiveram aporte necessário para atendimento tanto a curto quanto a médio prazos.
Resultado: pessoas que ficaram sem acesso a seus medicamentos e que desencadearam crises hipertensivas e diabetes descompensadas, e pessoas que ficaram sem seus medicamentos psicotrópicos e que entraram em surto psiquiátrico tanto pelo enorme estressor externo da reintegração, acrescido da falta do medicamento de uso contínuo.
Foi necessário o trabalho de profissionais de saúde militantes de organizações políticas de esquerda na organização de “hospital de campanha” para cuidar das pessoas feridas, das gestantes e crianças desassistidas, das inúmeras pessoas desidratadas. No improviso de “macas” feitas com lençóis.
O abuso policial e violência do Estado já eram conhecidos por todos nas ações no Pinheirinho, porém a negligência e a omissão na saúde até então passou “despercebida” pela mídia, além de sucessivos erros no atendimento aos feridos, houve um cerco da mídia sobre o número de feridos, já que a censura do PSDB agiu "brilhantemente" na omissão da comunicação. Não deixou ninguém ter acesso a pronto socorros e IML, numa clara tática de esconder e mascarar fatos. Também não esqueceremos das inúmeras denúncias omitidas de abuso sexual por parte dos PM.
Reafirmamos a importância de denunciar os fatos ocorridos e de não deixarmos esta ação impune e no esquecimento, nós lutadores de saúde divulgaremos a todos os meios de comunicação, movimentos sociais de saúde, conselhos de saúde e sindicatos. Basta de Violência Institucional, de coerção dos direitos à moradia, saúde e dignidade humana!
Paraná, 04 de fevereiro de 2012.
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Da economia verde, @s indignad@s e os fóruns sociais
Esther Vivas
A defesa dos bens comuns, os ecosistemas e a biodiversidade é hoje um dos temas mais importantes na agenda dos movimentos sociais na América Latina e isto é precisamente o que está em jogo na Cúpula das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável Río+20, que terá lugar em junho de 2012 no Rio de Janeiro. O Fórum Social Temático 'Crise capitalista, justiça social e ambiental', encerrado no domingo passado dia 29 em Porto Alegre (Brasil), sirviu para estabelecer as bases para a mobilização social frente a esta reunião chave.
A ofensiva do capitalismo, via economia verde, para privatizar todos os âmbitos da vida e da natureza se intensifica. E em um contexto de crise econômica como o atual, uma das estratégias do capital para recuperar a taxa de lucros se baseia na mercantilização dos ecosistemas. Dessa forma, se apresentam as novas tecnologías (nanotecnologia, agrocombustíveis, geo-engenharia, transgênicos...) como a alternativa a crise climática quando estas não fazem senão intensificar a crise social e ecológica que enfrentamos.
Tudo aponta para que a Cúpula do Rio +20 sirva para desobstruir o caminho das empresas para legitimar suas práticas de apropriação dos recursos naturais. Daí a importância da Cúpula dos Povos do Río+20, que se celebrará dias antes da cúpula oficial, organizada por um amplo espectro de movimentos sociais e que apresentará um programa e um caminho alternativo.
A defesa dos bens comuns, os ecosistemas e a biodiversidade é hoje um dos temas mais importantes na agenda dos movimentos sociais na América Latina e isto é precisamente o que está em jogo na Cúpula das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável Río+20, que terá lugar em junho de 2012 no Rio de Janeiro. O Fórum Social Temático 'Crise capitalista, justiça social e ambiental', encerrado no domingo passado dia 29 em Porto Alegre (Brasil), sirviu para estabelecer as bases para a mobilização social frente a esta reunião chave.
A ofensiva do capitalismo, via economia verde, para privatizar todos os âmbitos da vida e da natureza se intensifica. E em um contexto de crise econômica como o atual, uma das estratégias do capital para recuperar a taxa de lucros se baseia na mercantilização dos ecosistemas. Dessa forma, se apresentam as novas tecnologías (nanotecnologia, agrocombustíveis, geo-engenharia, transgênicos...) como a alternativa a crise climática quando estas não fazem senão intensificar a crise social e ecológica que enfrentamos.
Tudo aponta para que a Cúpula do Rio +20 sirva para desobstruir o caminho das empresas para legitimar suas práticas de apropriação dos recursos naturais. Daí a importância da Cúpula dos Povos do Río+20, que se celebrará dias antes da cúpula oficial, organizada por um amplo espectro de movimentos sociais e que apresentará um programa e um caminho alternativo.
sábado, 24 de dezembro de 2011
Consumir prejudica sua saúde... e a do planeta
Esther Vivas
"A mulher, desesperada em obter as melhores ofertas na loja Wal-Mart, jogou spray de pimenta nas pessoas que esperavam, com a intenção de afastá-las da mercadoria que ela queria”. Essa poderia ser uma cena de um filme de Pedro Almodóvar, se não fizesse parte da realidade, e tal relato foi publicado no jornal Los Angeles Times, edição de 25/11/2011.
Diante disso, poderíamos sugerir que na frente de grandes centros comerciais, e mais ainda nas épocas de descontos, fossem colocados grandes painéis advertindo "consumir prejudica gravemente sua saúde”, no mais puro estilo das autoridades sanitárias, pois o consumismo irracional, supérfluo e desnecessário, promovido pelo sistema capitalista, não somente pode afetar de maneira inesperada e contundente nossa saúde via "ataque de spray pimenta”, mas, sobretudo, pode afetar a "saúde” do planeta.
"A mulher, desesperada em obter as melhores ofertas na loja Wal-Mart, jogou spray de pimenta nas pessoas que esperavam, com a intenção de afastá-las da mercadoria que ela queria”. Essa poderia ser uma cena de um filme de Pedro Almodóvar, se não fizesse parte da realidade, e tal relato foi publicado no jornal Los Angeles Times, edição de 25/11/2011.
Diante disso, poderíamos sugerir que na frente de grandes centros comerciais, e mais ainda nas épocas de descontos, fossem colocados grandes painéis advertindo "consumir prejudica gravemente sua saúde”, no mais puro estilo das autoridades sanitárias, pois o consumismo irracional, supérfluo e desnecessário, promovido pelo sistema capitalista, não somente pode afetar de maneira inesperada e contundente nossa saúde via "ataque de spray pimenta”, mas, sobretudo, pode afetar a "saúde” do planeta.
domingo, 23 de outubro de 2011
Terrorismo da Prefeitura de Belo Horizonte e da Polícia Militar de Minas.
DESPEJO DA COMUNIDADE ZILAH SPOSITO SEM MANDADO JUDICIAL É DITADURA, É CRIME.
Nota da Comissão Pastoral da Terra sobre o despejo da comunidade Zilah Sposito
Ontem, dia 21/10/2011, no Conjunto Zilah Sposito, em Belo Horizonte, fiscais, gerentes e guardas municipais da Prefeitura de Belo Horizonte – PBH, juntamente com a Polícia Militar de Minas Gerais – Tropa de choque – cometeram um grande crime na capital mineira: Sem Mandado Judicial, com forte aparato bélico, usando spray de pimenta e terrorismo psicológico, destruíram 24 casas de alvenaria, barracos de lona e casas que estavam em início de construção. O pior: destruíram a vida e o sonho de 39 famílias que ficaram sem teto, ao relento, sob o frio e uma noite de chuva. Violaram covardemente direitos e dignidade humana, Havia casas construídas há vários meses.
Ontem, dia 21/10/2011, no Conjunto Zilah Sposito, em Belo Horizonte, fiscais, gerentes e guardas municipais da Prefeitura de Belo Horizonte – PBH, juntamente com a Polícia Militar de Minas Gerais – Tropa de choque – cometeram um grande crime na capital mineira: Sem Mandado Judicial, com forte aparato bélico, usando spray de pimenta e terrorismo psicológico, destruíram 24 casas de alvenaria, barracos de lona e casas que estavam em início de construção. O pior: destruíram a vida e o sonho de 39 famílias que ficaram sem teto, ao relento, sob o frio e uma noite de chuva. Violaram covardemente direitos e dignidade humana, Havia casas construídas há vários meses.
sábado, 8 de outubro de 2011
DESPEJO NÃO - COM DANDARA EU LUTO! COMUNICADO DAS BRIGADAS POPULARES
Belo Horizonte, MG, Brasil, 07 de outubro de 2011
As Brigadas Populares – BP’s - comunica a todos/as a situação que passa a Ocupação-comunidade Dandara, espaço territorial localizada no Bairro Céu Azul, Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil. Esta comunidade surgiu no dia 09 de abril do ano de 2009 com cerca de 200 famílias e foi crescendo rapidamente até contar com cerca de 1.000 famílias na atualidade.
Desde o primeiro dia de ocupação tentamos construir uma proposta de negociação com a Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, dirigida pelo prefeito Márcio Lacerda e com o Governo de Minas, que hoje é conduzido pelo governador Antônio Anastasia. Realizamos inúmeras audiências, solicitações de reuniões, atos públicos, sem, contudo, conseguirmos a abertura das negociações com os governos. Intransigentes em relação aos pobres e solícitos em relação aos empresários, o prefeito de BH e o governador de Minas viraram as costas para situação, deixando a cargo do judiciário a decisão em relação ao despejo. Não tiveram a grandeza de procurar evitar o conflito e defender os direitos sociais e humanos daqueles que lutam pelo bem mais básico, a moradia.
As Brigadas Populares – BP’s - comunica a todos/as a situação que passa a Ocupação-comunidade Dandara, espaço territorial localizada no Bairro Céu Azul, Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil. Esta comunidade surgiu no dia 09 de abril do ano de 2009 com cerca de 200 famílias e foi crescendo rapidamente até contar com cerca de 1.000 famílias na atualidade.
Desde o primeiro dia de ocupação tentamos construir uma proposta de negociação com a Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, dirigida pelo prefeito Márcio Lacerda e com o Governo de Minas, que hoje é conduzido pelo governador Antônio Anastasia. Realizamos inúmeras audiências, solicitações de reuniões, atos públicos, sem, contudo, conseguirmos a abertura das negociações com os governos. Intransigentes em relação aos pobres e solícitos em relação aos empresários, o prefeito de BH e o governador de Minas viraram as costas para situação, deixando a cargo do judiciário a decisão em relação ao despejo. Não tiveram a grandeza de procurar evitar o conflito e defender os direitos sociais e humanos daqueles que lutam pelo bem mais básico, a moradia.
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
EUA: Indignados prosseguem luta em frente a Wall Street
Fonte: http://www.prensa-latina.cu
Washington, 26 set (Prensa Latina) O movimento estadunidense de protesto social Occupy Wall Street (Ocupe Wall Street) entrou hoje em seu nono dia de mobilizações em frente à Bolsa de Valores de Nova Iorque, informou o grupo em um comunicado.
Vários dos presos no último sábado foram soltos ontem domingo e regressaram às imediações da Praça da Liberdade, onde permanecem acampados desde o dia 17 de setembro.
O dia anterior foi um dia de descanso e não houve marchas, ainda que foram realizadas palestras sobre o aumento do desempregos em várias cidades dos Estados Unidos, país com 14 milhões de desempregados e uma taxa nacional de desemprego de 9,1 por cento.
Vários dos presos no último sábado foram soltos ontem domingo e regressaram às imediações da Praça da Liberdade, onde permanecem acampados desde o dia 17 de setembro.
O dia anterior foi um dia de descanso e não houve marchas, ainda que foram realizadas palestras sobre o aumento do desempregos em várias cidades dos Estados Unidos, país com 14 milhões de desempregados e uma taxa nacional de desemprego de 9,1 por cento.
domingo, 25 de setembro de 2011
Primeira Marcha "Fora Lacerda" reuniu mais de 2 mil pessoas nas ruas de BH
Até o Estado de Minas se rendeu a nossa importante manifestação.
"Os protestos são contra a reeeleição do prefeito Marcio Lacerda em 2012. Cerca de 2 mil pessoas saíram da Praça da Liberdade e foram até a Praça da Estação
"Os protestos são contra a reeeleição do prefeito Marcio Lacerda em 2012. Cerca de 2 mil pessoas saíram da Praça da Liberdade e foram até a Praça da Estação
Fonte: Estado de Minas
Publicação: 24/09/2011 20:56
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Cerca de 2 mil pessoas, segundo a Polícia Militar, participaram da caminhada "Fora Lacerda" neste sábado contra a reeeleição do prefeito socialista de Belo Horizonte em 2012. Os manifestantes partiram da Praça da Liberdade, passaram pela sede da prefeitura, na Avenida Afonso Pena, onde deixaram objetos representativos do protesto, como máscaras, chicotes e correntes, e seguiram para a Praça da Estação, lavando as ruas com vassoura, água, alecrim e sal grosso.
A mobilização contra Marcio Lacerda começou com representantes da área cultural, quando a administração municipal proibiu a realização de eventos na Praça da Estação, no ano passado. Nos panfletos distribuídos durante a caminhada ontem foi enfatizado que o movimento não está ligado a nenhum partido político, segundo o antropólogo e produtor cultural Rafael Barros, de 28 anos. Foi organizado principalmente pelas redes sociais na internet, como Facebook e Twitter e também teve como alvo as parcerias público privadas na saúde e na educação e desapropriações para a Copa do Mundo."
A mobilização contra Marcio Lacerda começou com representantes da área cultural, quando a administração municipal proibiu a realização de eventos na Praça da Estação, no ano passado. Nos panfletos distribuídos durante a caminhada ontem foi enfatizado que o movimento não está ligado a nenhum partido político, segundo o antropólogo e produtor cultural Rafael Barros, de 28 anos. Foi organizado principalmente pelas redes sociais na internet, como Facebook e Twitter e também teve como alvo as parcerias público privadas na saúde e na educação e desapropriações para a Copa do Mundo."
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
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